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Como Tudo Começou…

Benjamim não foi planejado, ele é meu terceiro filho mas no decorrer da gravidez ele foi sendo aceito e amado tive um gravidez normal sem nenhum tipo de doença ou intercorrência. Trabalhei até o ultimo dia do ano letivo e depois vieram as férias. Com todos os preparativos para a chegada do Ben, tudo estava perfeito o quarto as fotos  e a ansiedade de ver o rostinho dele.

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No quarto do hospital

No dia 28 de Janeiro de 2014  Benjamim nasceu com 46 cm pesando 2,745  foi uma alegria, chorei quando escutei o seu chorinho pela primeira vez. Deus é maravilhoso, só tenho que agradecer pois ele me abençoou com o Benjamim o Filho da Felicidade. nascimento Hoje em alguns hospitais existe a triagem neonatal que são: Teste do Olhinho,do coraçãozinho e da orelhinha Ben fez todos não pagamos nada pelo serviço sendo alguns obrigatório. embaixo um link onde vocês podem tirar suas duvidas em relação aos testes que são muito importantes.

http://www.brasil.gov.br/saude/2014/06/teste-do-coracaozinho-agora-e-obrigatorio-na-triagem-neonatal-do-sus http://www.facebook.com/portalbrasil?_rdr=p

Quem faz o teste da orelhinha foi a fono Daniele Plombon Perez que depois de três tentativa  sem  respostas nos  encaminhou para um exame mais especifico chamado BERA ( Exame do Potencial Evocado Auditivo do Tronco Encefálico), exame diagnostico

http://www.institutobrasileirodosono.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=107&Itemid=179

A primeira vez que fizemos o Bera Ben estava com refluxo impossibilitando de fazer o exame, voltamos para a casa com vários sentimentos, pensativos e começamos a fazer vários barulhos: bater tampa de panela, ligar liquidificador, barulhos altos,baixos,graves, agudos, mas Ben não reagiu a nenhum. Na segunda vez do exame veio a noticia,   Benjamim foi diagnosticado com surdez profunda bilateral. E nos deparamos com a pergunta: MEU FILHO É SURDO E AGORA?

Passei um momento de luto digo isso porque enterrar o filho idealizado “perfeito” foi importante  para que deixasse o filho surdo nascer e com ele um mundo cheio de descobertas desafios e entregas. Claro que, houve choro , muitas perguntas, e muita culpa mas foi importante para a aceitação e abrir os olhos para um novo mundo, o desconhecido!

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Começamos a procurar sobre tudo artigos, livros, videos tudo que envolvia a surdez e libras, o tratamento, claro sabíamos que o primeiro passo era consegui aparelhos auditivos para o Ben, mas onde? Como? O meu primeiro pensamento foi  quero o melhor para Ben. Procurando sobre melhores centros de tratamento de audição entrando em contato com pessoas pela internet e conhecendo também, vi que quem era pioneiro em surdez era a USP, (Centrinhos da USP situada em Bauru) como fica em São Paulo liguei para meu irmão e disse Cristiano to indo, sem consulta marcada, sem saber como chegar, só sei que Ben e eu íamos, não sabia quantos dias ia ficar, mas eu estava certa que só voltava de SP com os aparelhos no ouvido do Ben arrumamos as malas e fomos. Sair de São Lourenço sozinha com um bebe de seis meses nos braços não foi fácil,  nunca tinha deixado os meu filhos sozinhos Eloisa e Nicolas por tanto tempo assim, sabia que não estavam sozinhos meu pais me ajudaram ficando com eles e Derly também estava junto mas um sentimento de preocupação uma dor invadiu meu coração, lembro que quando o ônibus saiu eu estava com um nó na garganta e o Ben dormindo meu irmão me mandava mensagens sempre tentando me acalmar e perguntando onde estava, todos estavam preocupados minha mãe me liga e eu estava chegando em Pouso Alto e ela chorando no Telefone perguntou se estava tudo bem e disse Deus te abençoe minha filha vai com Deus, eu comecei a chorar meu pai pegou o telefone e disse que ia dar tudo certo desliguei chorando então eu respirei fundo fechei os olhos orei lembro que agradeci a Deus por tudo arrumei o Ben no meu colo e dormir.

Quando cheguei em São Paulo meu irmão Cristiano e minha cunhada Ana Shaida estavam  esperando na rodoviária, o primeiro alivio foi descer do ônibus o segundo foi abraçar meu irmão e não  sentir sozinha.

Então o dia começa Ana e eu primeiro fomos ao Hospital das Clinicas USP cheguei confiante achando que ia conseguir a consulta mas não consegui por não morar em SP, então a Ana teve uma ideia vamos levar o Ben para o hospital São Paulo UNIFESP, e mentir que o Ben esta doente dai passamos com o pediatra do pronto socorro mostramos os exames e ele nos da o encaminhamento para o Centro de Audição da UNIFESP, e fomos fizemos isso mas não esperávamos que  ficaríamos a manhã e a tarde toda esperando a consulta com o pediatra, que nos encaminhou para o otorrino que depois de praticamente implorar para as residentes que nos atenderam nos dar o encaminhamento e fomos conhecer o CDA (Centro de Deficiência Auditiva), foi então que conseguimos várias consultas com vários profissionais em dias alternados e conhecemos a equipe maravilhosa que nos acolheu tenho só que agradecer Fonoaudiólogas Priscila Carporali, Alexandra Dezani, Zeila Santos Otorrino Dr, Fernando professora Marisa Frasson, Psicologa Ângela, e as meninas da recepção.

15 dias em São Paulo

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Apresentação1

Então começa a nossa jornada, os desafios, as renuncias, entregas, amadurecimento. Viver um dia de cada vez, seguir o coração de mãe, entregar nas mãos de Deus e viver…….

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O que é o AEE ( Atendimento Educacional Especializado) ?

 

“A escola tem que ser esse lugar em que as crianças tem a oportunidade de ser elas mesmas e onde as diferenças não são escondidas, mas destacadas.”                                                                                                                             (Mantoan)

 

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Olá pessoal vocês sabem o que é o AEE ( atendimento Educacional Especializado) ?

Na foto acima, Benjamim está com a tia Bel a sua professora de AEE. Bom mas vamos falar deles depois, agora um videozinhos rápido para vocês entenderem o que é o Atendimento Educacional Especializados.

 

Resolvi fazer esse post para esclarecer duvidas e mostrar o resultado, quando a escola como um todo acredita no potencial do seu aluno e coloca em pratica não deixando só no papel a RESOLUÇÃO Nº 4, DE 2 DE OUTUBRO DE 2009 ( deixarei  no final do post a Resolução CEB 2009 na íntegra ).

Os atendimentos do Benjamim são todas as terças feiras das 12:00 ás 12:50, depois ele brinca um pouquinho no parquinho e vamos para a fila pois as 13:00 começa a aula.

Tia Bel faz um trabalho bilíngue com Benjamim ajudando-o na sua comunicação em Libras, socialização, a fala oral e a escrita. Ela é uma super heroína pois sem ela não veríamos os resultados tão rápido, claro que é um trabalho de equipe gestão escolar, professora regente e a Tia Bel, tudo para um resultado de amor competência e respeito.

Então bem vindos a sala da tia Bel

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Benjamim tem um caderno grande e lá se tem todo o registro das atividades diferenciada que a tia Bel faz que concretizam a aprendizagem e ampliam os conhecimentos do Ben.

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Tia Bel também ajuda nos exercícios de oralização do Ben e com ela parece que tudo fica mais fácil. É um trabalho de formiguinha mas se todos demos as mãos nada fica difícil ou impossível tudo fica mais leve e possível. Nesses dois anos do Ben na Escola Dom Bosco aprendi com eles que nada é impossível! Cada um tem seu tempo e vamos respeitar. Lembrei de uma frase de Paulo freire, onde ele diz que não se ensina o voo aos pássaros, porque o voo já nasce dentro dos pássaros. O voo não pode ser ensinado. Só pode ser encorajado.

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Minha felicidade é mil gratidão Tia Bel pelo carinho e paciência com o Benjamim sabemos que atrás dessa carinha e sorriso tem um menino cheio de energia e com personalidade forte 🙂

E vamos seguindo de mãos dadas família e escola juntos encorajando os voos do Ben !

 

Resolução CEB 2009 : http://portal.mec.gov.br/dmdocuments/rceb004_09.pdf

 

 

 

 

 

 

 

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Benjamim e os Amigos

“Meus amigos quando me dão a mão sempre deixam outra coisa presença, olhar, lembrança e calor. Meus amigos quando me dão deixam na minha a sua mão”.

                                                                                                                       Paulo Leminski

 

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Quanta alegria ver esses sorrisos essas carinhas lindas, cada amiguinho do Benjamim me faz acreditar em dias melhores.  Uma das minhas preocupações era o relacionamento do Ben com os colegas. Sempre fui uma pessoas de muitos amigos e ficava imaginando como seria a comunicação e a relação dele com os amigos na escola e para a minha surpresa a amizade cresceu de forma tão natural que não houve nenhuma barreira para comunicação, o amor puro e a amizade sincera de cada amiguinho fez com que Ben amasse cada um e sentisse saudades de todos. Nas férias Benjamim olhando as fotos e pedindo para que eu o levasse para brincar com os amigos da escola, claro que as lágrimas caiam e eu agradecia, porque não foi só ele que se sentiu aceito e amado por todos da escola, mas eu como mãe também  me senti acolhida pelas mães dos amiguinhos e uma das frases que muitas mães falaram foi “Eu fico feliz por meu filho estudar com o Ben, porque meu filho vai conviver com a diferença e vendo que todos são diferente e que isso é normal. Se tornando assim um cidadão e ser humano melhor.

 

Felicidades de ver as professoras tia Jana e tia Marielly ensinado a língua do Ben para os amigos e ver os coleguinhas com as mãozinhas tao pequenas fazendo seus primeiros sinais

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Como não amar, o sinal de árvore agora faz sentido para todos e para Benjamim as mãozinhas dos amigos viram sons.

amigos

 

“Que bom te conhecer
Pra mim foi um prazer
Viver em comunhão
Amigos mais chegados que irmãos”.

musica Amizade banda Quatro por Um

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Desabafo

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NÃO, eu não sou Intérprete de LIBRAS ou FLUENTE na Língua (ainda). Sou uma MÃE, que a três anos atrás depois de três tentativas sem resposta do teste da orelhinha e encaminhada para um exame mais específico chamado BERA. Estava em meus braços um bebê de seis meses e um exame com diagnóstico de Surdez Profunda Bilateral! Eu tinha duas escolhas : Viver no meu luto com medo ou Arregassar as mangas e conhecer esse novo mundo do SILÊNCIO. Fiz escolhas e paguei o preço por cada uma delas. Chorei, sorri, tive medo, fiz amigos e encontrei uma mulher forte para encarar o PRECONCEITO e a falta de INFORMAÇÃO em uma cidade pequena onde algumas pessoas vivem em suas zonas de conforto e debaixo do seu STATUS. Precisei SIM de alguns profissionais que viraram as costas para o meu filho, mas por outro Deus nos colocou ANJOS que tem um carinho tão grande com a gente que fizeram e alguns ainda estão fazendo parte da nossa história e do desenvolvimento do BEN. O meu primeiro contato com a Libras foi em São Paulo em uma escola BILÍNGUE com um professor SURDO e lá conheci um novo mundo #DERDIC, depois fiz dois cursos e agradeço o carinho Leila e Creusa #faculdadevictorhugo #faculdadesaolourenco. Conheci mães que buscam assim como eu qualidade de vida para seus filhos e deixar que o amor de mãe a fé fale mais alto que o preconceito e falta de informação para aqueles que brincam de aprender LIBRAS. Hoje com três anos Ben sabe mais ou menos 310 sinais e fala 16 palavras e sabe quem ensinou? Sim EU sem apoio com poucas cartas na manga eu e minha família nos demos as mãos e escolhemos o caminho da comunicação, SIM conhecemos a CULTURA e a IDENTIDADE surda. Para ensinar o BEN sua LÍNGUA eu preciso estar aprendendo sempre e ainda bem que temos o ZAP ZAP quando tenho dúvidas entro em contato com amigas e uma professora querida SUELI RAMALHO, além de junto fazer exercícios de oralização e pedagógica. Acabamos virando um pouquinho de tudo professor, fono, psicóloga, otorrino, fisio, e tantas outras. Lendo estimulando e vivendo um dia de cada vez para dar de tudo um pouco que meu filho precisa. ENTÃO não posso deixar de lutar, gritar se for preciso pela aceitação e aprendizagem séria e correta de uma LÍNGUA como a LIBRAS que sofreu e sofre tanto, lutar não só pelo meu filho mas por tantos outros surdos que muitas vezes sofrem ou morrem pela falta de comunicação. BENJAMIM é #expert sim em tirar sorrisos fáceis das pessoas, #expert em dar e pedir beijos, #expert em sorrir e ser feliz, só quem conhece ele sabe do que eu estou falando. Então por favor RESPEITO seja consciente. Estou aqui como mãe para dividir minhas experiências e caminhos que segui, compartilhar conhecimento. #surdeznaoedoenca
#oseupreconceitoe

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NÃO! Eu não tenho Super Poderes.

NÃO! Não sou Super Heroína ou tenho Super Poderes, acredito que toda mãe tem um sexto sentido, ama incondicionalmente e se preciso for vira uma leoa para proteger seus filhotes.

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Estava em casa refletindo sobre o ano de 2017, foi um ano de muitos acontecimentos, crises e crescimentos. Respirei fundo e percebi que durante a caminhada com o Benjamim eu me cobrei, me impus perfeição, e não entendia que caminhar sem o meu controle, e que delegar tarefas não quer dizer largar tudo, mas significa confiança nos que estão em minha volta e me chamei de super-heroína! A ideia de achar que consigo dar conta de tudo sozinha, não foi por maldade ou achar que sou a melhor, foi por imaturidade, por medo e até mesmo por instinto materno de proteger.

Quando decidi ir para São Paulo buscar a reabilitação auditiva do Ben, eu sabia que não ia ser fácil e nem como iria terminar a unica certeza era que eu só voltaria para São Lourenço MG com os aparelhos nos ouvidos do Ben. Foi ai que comecei a achar que estava desenvolvendo “Super Poderes” :

Mamaedoben Sra. Fantástica: Precisava com urgência conhecer e aprender tudo sobre o mundo do Benjamim, aprender os exercícios de oralização, exercícios da fisioterapia e Libras de uma forma surreal para depois organizar todo esse conhecimento e ensinar de uma forma pedagógica e divertida para o Ben.

Mamaedoben Flash : Precisava dar conta de tudo e quando achava que tinha terminado mais serviço aparecia, eu não tinha só as estimulações com o Ben, tinha as tarefas da escola e conversas de menina com a Eloisa, brincar de carrinho ou só contar uma historia para o Nícolas, entre tarefas de casa e o marido chegando tarde da faculdade para conversar ou contar como foi seu dia. tudo tinha que estar em ordem e eu tinha que salvar o dia de todos.

Mamaedoben Jean Grey (Força Fênix) Renascendo das cinzas todos os dias mesmo dormindo pouco, e toda manhã com um sorriso nos lábios e os neurônios intactos.

E os Super Poderes iam aumentando entre invencibilidade quando o assunto era virose, ler pensamentos e conseguir perceber as travessuras das crianças e no final do dia todos estavam a salvos.

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Então percebi o quanto eu tinha esquecido de min mesma, o quanto eu tinha me deixado de lado. Não desativei o botão de super mãe e acredito que não é só eu. A mulher é aquela que sempre será um polvo e faz mil coisas ao mesmo tempo, aquela que se desdobra entre marido, filhos, trabalho, casa, família e nunca se cansa, nem fica doente.

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Precisamos parar de querer ser sempre essa mulher e mãe perfeita, e quem pode dizer o que é perfeição? Importante é fazer tudo com muito amor e respeito por aqueles que estão sempre a nossa volta, e principalmente que a gente se respeite, saber nosso limite, saber quando precisamos pedir ajuda.

SIM! Nós também cansamos! Temos dias ruins, ficamos doentes, indispostas, tristes, desanimadas, queremos ser cuidadas, precisamos de momentos nossos e precisamos deixar as vezes para amanhã aquilo que era para fazer hoje.

Então que tenhamos dias mais claros, que sejamos mais humanas e menos heroínas!

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Inclusão Dom e Ben

 

“É preciso diminuir a distância entre o que se diz e o que se faz, até que, num dado momento, a tua fala seja a tua prática”.

Paulo Freire

O ano de 2017 foi um ano de muito aprendizado e crescimento, venho compartilhar com vocês um ano de inclusão. Um ano de acolhimento, de sorrisos largo e feliz.

Depois de muito procurar encontramos uma escola inclusiva que fala e vive realmente a pratica da inclusão. Claro que o medo caminhou comigo na primeira reunião e no primeiro dia de aula, meu coração disparava parecia que ia sair do peito e a insegurança era notória.

No dia 03/02/2017 no início dá reunião a professora pediu que cada mãe se apresentasse e dissesse o que esperava da escola; minha resposta: Meu nome é Andreia sou mãe do Benjamim e eu só quero que ele seja feliz! 💙

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Primeiro dia de aula Ben entrou sem chorar, seguro cheio de autonomia e sorrisos fáceis que só ele sabe dar. Sabemos sobre toda a rotina de começo de ano, a adaptação  e o meu pequeno e grande Benjamim entrou com aquele sorriso me olhou e deu tchau eu não acreditei quem chorou fui eu e quando fui busca-lo era só alegria foi o inicio de um ano produtivo, de crescimento, diversão e inclusão.

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A cada trabalho feito, a cada atividade e aprendizado eu me surpreendia com todos, o envolvimento não só das professoras do Ben mas da equipe toda. Todos estavam envolvidos e o nosso acolhimento, a segurança, o amor só crescia. Gratidão a palavra que resume o que se brotou dentro de min como mãe que luta pela felicidade do filho.

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Obrigada a toda a equipe Dom Bosco pelo carinho, pelo acolhimento, muito DOM e muito amor. Aprendi, que a inclusão ela é construída aos poucos e o que a torna real é a vontade de aprender, sou testemunha de professores unidos para entender mais sobre a língua, cultura e identidade do Ben. Estudando, criando e adaptando tudo para que Benjamim se sentisse incluído não só nas atividades mas na interação das brincadeiras com os colegas. A felicidade é ver os amigos conversando com o Ben as mãozinhas pequenas dos colegas ouvintes se comunicando com o amigo surdo.  Nós nos encontramos, não estamos em nenhuma escola bilíngue mas estamos em uma escola que nos aceitou como somos e se abriu para aprender junto com a minha família.

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 depois de conhecer os materiais inclusivos vi o PDI do meu filho feito com cuidado e carinho.

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foi um ano de muito sorrisos de muitas conquistas e de encontro com a inclusão, a cada data comemorativa, a cada sinal que ensinamos e aprendemos, tudo conquistados não só por uma escola mas por professores que vestiram a camisa da educação por amor.

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“A alegria não chega apenas no encontro do achado, mas faz parte do processo da busca. E ensinar e aprender não pode dar-se fora da procura, fora da boniteza e da alegria”.

Paulo Freire

 

 

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Sueli Ramalho Segala

O nosso ano de 2017 iniciou com muitas surpresas boas, tivemos alguns desafios e com fé superamos muitas delas.

Sabem, durante esses 3 anos de aprendizagem com o Benjamim fiz muitos amigos e só tenho que agradecer a Deus pelas pessoas maravilhosas que fizeram e fazem parte da nossa historia, mas hoje gostaria de falar sobre uma para vocês. 

Quando Benjamim fez o teste da orelhinha pela terceira vez, Derly e eu já estávamos pesquisando sobre surdez, Libras, começamos a ler TCC e artigos sobre o tema, assistir vídeos e entrevistas no youtuber e para nossa surpresa encontramos uma entrevista no Jo Soares (deixarei os links dos vídeos abaixo) E foi quando vimos pela primeira vez ela, que hoje se tornou parte da nossa família, e não consigo ir para São Paulo sem pelo menos dar um abraço nela Sueli Ramalho.

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Sueli Ramalho Segala é atriz, escritora, professora de línguas, intérprete e poliglota em 32 línguas de sinais, uma grande estudiosa da língua de sinais. Ela explica que o interesse por esse assunto teve início quando, ainda pequena, percebeu que a língua de sinais não tem concordância nominal e verbal, preposição, artigos, e viu que as escritas de ouvintes tinham este fenômeno. “Eu tentava descobrir porque existia essa diferença, e isso me motivou a pesquisar cada vez mais. Meu pai recebia em nossa casa muitos surdos de outros países, e aprendi com esses estrangeiros que ficavam no Brasil por mais de 6 meses, e eu amava ficar horas ouvindo, aliás vendo, eles contarem histórias da cultura de outros países, através da própria língua estrangeira. Nos visitaram pessoas de mais 32 países.”

Sueli nos acolheu em um momento difícil de nossas vidas e com ela eu aprendi a olhar o Benjamim como ele e uma criança normal.

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Obrigada Sueli pela sua amizade, carinho e amor com a gente, Deus continue te abençoando ricamente que você continuem com seu trabalho maravilhoso  eu só tenho que agradecer  por tudo que fez pela minha família amiga querida.

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https://vidamaislivre.com.br/perfis/sueli-ramalho-segala-os-sinais-indicam-o-caminho/

VIDEOS DO YOUTUBER

https://globoplay.globo.com/v/1575038/

 

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Escola, Inclusão e Ben

Olá, tudo bem com vocês amigos!

Tanta coisa aconteceu, tantas questões para resolver e tantas angustias que precisei respirar e organizar a minha mente e o meu coração. Ainda existem perguntas, dúvidas, mas elas vão sendo respondidas com o tempo, com o amadurecimento e claro com amigos do nosso lado tudo se torna mais tranquilo. Compartilharei com vocês a nossa luta pela inclusão e o bilinguismo em minha cidade.

Em uma das minhas idas em São Paulo para a reabilitação auditiva do Ben conheci duas escolas bilíngues as quais me apaixonei perdidamente e gostaria muito de poder dar aos meus filhos a oportunidade de estudarem nelas. A primeira escola foi a DERDIC onde conheci a Professora Priscila Gaspar que se tornou muito especial nesta minha caminhada, a Professora Maria Inês do programa de acessibilidade da escola, que apareceu como um anjo em minha vida e abriu as portas para meus primeiros sinais e por fim o Professor Sandro que conduziu as minhas mãos, nos acolheu e ganhamos os sinais, saudade de vocês.

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A outra escola que me deixou fascinada que me faz sonhar com ela é o CES (Centro de Educação para Surdos Rio Branco), onde fiz muitos amigos e conheci mães que lutam, que acreditam que me deram forças para continuar seguindo meu coração.

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Depois desses encontros e muita troca de experiências e conhecimentos voltei para são Lourenço MG cheia de forças para quebrar barreiras, tabus, mitos em uma cidade pequena e sem conhecimento sobre surdez e bilinguismo.

O Ano de 2016 começa e já com a agenda cheia, preparativos para o aniversário do Ben, consulta para São Paulo marcada além das estimulações em casa e com os profissionais, deixei então para ver a escola e matricula em fevereiro porque sabia que estaria mais calma. Já tinha procurado em minha cidade e em cidades vizinhas escolas para surdo ou associações, mas infelizmente não encontrei nenhuma. Comecei então a pesquisar como era a inclusão nas escolas publica daqui,  descobri a existência de um programa chamado AEE (Atendimento Educacional Especializado) destinado a alunos com deficiência, aqueles que tem impedimento de longo prazo de natureza física, intelectual ou sensorial (visual e pessoas com surdez parcial ou total). Alunos com transtorno gerais de desenvolvimento e com altas habilidades (que constituem o público alvo da educação especial) também podem ser atendidos por esse serviço.

O AEE (Atendimento Educacional Especializado) é realizado mediante atuação de professores com conhecimentos específicos no ensino de:

  • LIBRAS, Língua Portuguesa na modalidade escrita, como segunda língua para pessoas com surdez;
  • Sistema Braille, ábaco, orientação e mobilidade, utilização de recursos ópticos e não ópticos;
  • Atividades de vida autônoma;
  • Tecnologia assistida;
  • Desenvolvimento de processos mentais;
  • Adequação e produção de materiais didáticos e pedagógicos e outros.

Para alunos com altas habilidades o AEE oferece um programa de ampliação e suplementação curricular, desenvolvimento de processos mentais superiores entre outros. Legal, não é? Estava animada e feliz para levar Ben à escola. Separei alguns materiais pois meu pensamento foi compartilhar a vivencia do Benjamim e de toda a família em relação a Libras e o que ele já sabia.

Benjamim tinha saído das fraldas fazia pouco tempo, aprendeu o sinal de banheiro. Estava ansiosa, meu bebê ia para a escolinha, estava crescendo. Sempre fui uma admiradora da educação infantil, trabalhei muito tempo nessa faixa de idade e ainda tinha algumas coisas guardada em casa, como: músicas infantis, jogos, atividades psicomotoras, molde de trabalhos dos eventos escolares e agora aprendendo libras com todo esse conhecimento adquirido nesses dois anos do Benjamim acrescentaria na escola e contribuiria a tornarmos em uma escola bilíngue.

A semana começou, acordei o Ben cedo pois a aula começava as oito da manhã e fomos conversar com a gestão escolar. Conhecemos os professores, mostrei os aparelhos, expliquei sobre o Ben e como falar com ele e então combinamos que durante a semana, aos poucos, iria passando os sinais básicos.

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Nesse primeiro dia de aula todos nos acolheram muito bem, voltei para casa com o coração na mão, mas Ben ficou ótimo não chorou e todos adoraram ele, fiquei muito feliz. Passados alguns dias fui conhecer a coordenadora do AEE e a minha fala foi: “Gostaria do intérprete de libras para ajudar Benjamim na comunicação”, e tentei expor sobre o bilinguismo. Sabia que seria difícil em primeiro momento transformar do dia para noite a escola em uma escola bilíngue, mas tentei colocar os principais recursos em primeiro momento, que seriam as salas mais visuais possíveis, os locais sinalizados, gravei alguns vídeos curtos com os sinais que Benjamim sabia junto com as palavras que ele fala para as professoras, atividade concretizadas e o Intérprete.

Sendo lei, Decreto 5626 – Planalto que nos diz: CAPÍTULO VI

DA GARANTIA DO DIREITO À EDUCAÇÃO DAS PESSOAS SURDAS OU

COM DEFICIÊNCIA AUDITIVA

Art. 22   I – escolas e classes de educação bilíngue, abertas a alunos surdos e ouvintes, com professores bilíngues, na educação infantil e nos anos iniciais do ensino fundamental;

II – Escolas bilíngues ou escolas comuns da rede regular de ensino, abertas a alunos surdos e ouvintes, para os anos finais do ensino fundamental, ensino médio ou educação profissional, com docentes das diferentes áreas do conhecimento, cientes da singularidade linguística dos alunos surdos, bem como com a presença de tradutores e intérpretes de Libras – Língua Portuguesa.

Confesso que estava animada e ao mesmo tempo nervosa, estava com muita coisa para falar e pela minha imaturidade e por  não saber colocar a importância da língua, talvez de uma forma que ela me compreendesse, ou pelo meu nervosismo e euforia de querer realmente mostrar a importância do bilinguismo e da comunicação ela não entendeu. Com base em seus conceitos me disse que ninguém iria alfabetizar o Benjamim e o que seria desenvolvido nele era o sensório motor onde sua língua só seria aprendida e trabalhada nas series iniciais onde então haveria um interprete. Relutei em questionar ainda mais porem não tivemos uma boa comunicação e sai dali me perguntando: “tudo bem, muito importante desenvolver o sensório motor do Ben visto que ele tem uma má formação muito grande na orelha interna, mas Benjamim é um bebê de dois anos ele não é uma criança que precisa de um estímulo só. E a comunicação do meu filho? E a interação com o ambiente escolar? E o desenvolvimento do cognitivo? ”

Chegando em casa muito angustiada com um nó na garganta entrei no banheiro e comecei a chorar e foi onde comecei a ficar perdida e depois disso só vieram desentendimentos. Foi disponibilizado uma estagiária, as duas que ficaram com o Ben no período que ele frequentou a escola foram muito doces e amáveis, e eu até entendia a preocupação das professoras em relação ao Ben, ter um aluno surdo sem ter conhecimento de sua língua é difícil, tudo era novo para todos. Comecei então a fazer terapia pois não conseguia dormir e cada dia acontecia algo diferente, mas o que me preocupava era o choro para entrar na sala.

Com consultas marcadas fomos para São Paulo…

 

Ficamos em São Paulo uma semana e acabei voltando de ônibus pois não conseguimos lugar no carro do TFD (tratamento fora domicilio).

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Tudo parecia tranquilo e estávamos voltando para a rotina da casa, então depois de 15 dias liguei para meu irmão pedindo que buscasse os moldes dos aparelhos e nos mandasse por correio e assim foi feito. Cristiano e Ana Shaida sempre nos ajudam ficando menos cansativos nossa correria. Mas dessa vez os moldes não ficaram bons e os aparelhos começaram a apitar, tivemos que voltar para SP e resolver a questão dos moldes, voltando a fazer a viagem mais vezes, nessa correria toda, até acertarmos os moldes Benjamim faltou na escola muitas vezes. Em todas as viagens que fui desde que Ben entrou na escola eu pegava atestado, xerocava a audiometria. Quando voltamos para São Lourenço Benjamim ficou resfriado, ouvido infeccionado e a correria de médico otorrino remédio, quando estava melhorando foi a escola e a direção me pergunta porque Benjamim tem faltado tanto eu expliquei o ocorrido e levei a audiometria.  Na madrugada Eloisa passou mal e não foi na escola era uma sexta feira ficando o final de semana toda com virose, depois foi o Ben e junto com ele Nicolas minha casa estava uma loucura de virose estávamos preocupados e cansados pois as crianças tinham descaído muito então corremos com eles para o hospital.

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E diante disso comecei a ser questionada pela escola e pela coordenadora do AEE o motivo das faltas tive que assinar relatórios justificando as faltas. Me diziam que se Benjamim faltava a estagiaria que foi para dar apoio em sala para ele deixava de cuidar de outras crianças com deficiência frequente em outra escola do município. Mas não estava faltando porque queria, e sim porque que se levasse ele no estado que estava à escola me ligaria para busca-lo. Esta situação começou a me incomodar a ponto que não conseguia dormir, as faltas estão acontecendo pois aconteceram imprevistos e infelizmente ele ficou doente com mais frequência mas mesmo tentando explicar não adiantou sentia uma certa ironia e foi então que a comunicação falhou, comecei a ficar muito aborrecida não só com isso mas com outras questões como o fato dele não ter um profissional qualificado para ajudá-lo na comunicação e o entendimento do ambiente quem ele se encontrava, Benjamim não queria ficar mais na escola toda vez que eu levava ele chorava era um desgaste para min para professora e  depois de muito pensar e confesso que algumas coisas pesaram muito na minha decisão resolvi tira-lo  da escola ele ficou só seis meses.

Um dia estava passeando com as crianças e uma amiguinha dele da escola o viu e gritou o BEN eu mostrei ela para ele e o meu espanto Benjamim não sorriu e não conheceu a amiga não teve reação nenhuma. Voltei para casa pensativa fazendo várias hipóteses que a amiga não tinha muito contato, criança esquece rápido, ele é um bebe de dois anos, ele tinha contato com os meninos e talvez essa menina nem brincava com ele, ele só ficou seis meses na escola não deu tempo de fazer amigos então fiquei mais angustiada a inclusão não existe ela é utópica e em cidades pequenas como a minha a dificuldade ainda é maior pois não há não só a informação o conhecimento mas não existe acessibilidade a inclusão e um programa lindo com um projeto rico que é o AEE não funciona.

Confesso que amadureci, li mais, entendi mais coisas e que também errei em muitas coisas até mesmo por onde e como recorre. Tenho uma outra visão e os erros que cometi nesses seis meses não cometo mais, ano que vem novas lutas, mais madura para encarar de novo a Escola sem inclusão. E vou lutando e idealizando a escola bilíngue.

Deixarei aqui informações sobre a proposta do AEE direcionado para a surdez e o site do MEC para mais informações.

http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/aee_da.pdf

http://www.pmpf.rs.gov.br/servicos/geral/files/portal/AEE_Apresentacao_Completa_01_03_2008.pdf

http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/aee_da.pdfhttp://portal.mec.gov.br/setec-secretaria-de-educacao-profissional-e-tecnologica/publicacoes?id=17009